Modelo de desenvolvimento neoextrativista latino-americano

um olhar biofísico para o comércio exterior das regiões brasileiras (1997-2019)

Autores

  • Leandro Oliveira Marcondes Instituto de Economia da Universidade Federal de Uberlândia
  • Daniel Caixeta Andrade Instituto de Economia da Universidade Federal de Uberlândia https://orcid.org/0000-0002-5045-1913

Palavras-chave:

Comércio Exterior Brasileiro, Neoextrativismo, Sustentabilidade, Balança Comercial Biofísica, Sociometabolismo

Resumo

O presente estudo tem como objetivo traçar o perfil sociometabólico da balança comercial das regiões brasileiras entre os anos de 1997 e 2019 e analisá-lo no contexto neoextrativista latino-americano, enfatizando a natureza dos impactos socioambientais desse processo de desenvolvimento. Utiliza-se o ferramental metodológico do sociometabolismo: a análise dos fluxos de matéria e energia (Material and Energy Flow Analysis – MEFA). Os resultados sugerem que o Brasil intensifica sua condição de primário-exportador líquido em termos biofísicos no período analisado. Quatro das cinco regiões brasileiras são deficitárias do ponto de vista do comércio biofísico e aprofundaram significativamente este déficit no período analisado. A única região que se apresentou inicialmente como superavitária foi o Nordeste, mantendo este padrão no fim do período. As regiões brasileiras mostraram-se significantes exportadoras de minérios metálicos e produtos de biomassa, além de importar uma quantidade expressiva de combustíveis fósseis e minerais não metálicos, o que representa uma preocupação para o meio ambiente em termos dos impactos gerados por essas atividades. Os elevados déficits na balança comercial biofísica das regiões brasileiras (exceto o Nordeste) reforçam o problema da sustentabilidade ecológica no longo prazo destas atividades, uma vez que muitas delas dependem de recursos naturais não renováveis.

Referências

ACOSTA, A., 2011. Extractivismo y neoextractivismo: dos caras de la misma maldición. In: grupo permanente de trabajo sobre alternativas al desarrollo. Más alla del desarrollo. Quito: Abyayala, Fundación Rosa Luxemburg.

ARAÚJO, A. H. dos S.; ANDRADE, D. C.; SOUZA, H. F., 2019. Metabolismo socioeconômico (mse): construção conceitual e convergência com a economia ecológica (ee). Revista Iberoamericana de Economía Ecológica Vol. 31: 127-143.

BLANCO, G. D.; ALMEIDA, J. P.; CHIAPPE, M., 2017. Neoextrativismo e conflitos territoriais: Os casos da empresa Vale Fertilizantes em Minas Gerais, Brasil, e da UPM no Uruguai. Anais Sncma Vol. 8: 1-15.

BRESSER-PEREIRA, L. C., 2008. The Dutch disease and its neutralization: a Ricardian approach. Brazilian Journal of Political Economy Vol. 28: 47-71. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rep/a/XB87TMrKyHHSrR4RhJdd5Bt/?format=pdf&lang=en. Acesso em: 09 fev. 2022.

BRITO, D. M. C.; BASTOS, C. M. C. B.; FARIAS, R. T. S.; BRITO, D. C.; DIAS, G. A. de C., 2011. Conflitos socioambientais no século XXI. Pracs: Revista de Humanidades do Curso de Ciências Sociais da UNIFAP Vol. 4: 51-58. Disponível em: https://periodicos.unifap.br/index.php/pracs/article/view/371#:~:text=No%20s%C3%A9culo%20XXI%20o%20conflito,perman%C3%AAncia%20da%20humanidade%20no%20planeta. Acesso em: 09 fev. 2022.

CEPAL, 2019. Comisión Económica para América Latina y el Caribe. Anuario Estadístico de América Latina y el Caribe, 2018 (LC/PUB.2019/2-P).

CEPAL, 2018. Comisión Económica para América Latina y el Caribe. Anuario Estadístico de América Latina y el Caribe, 2017 (LC/PUB.2018/2-P).

CEPAL, 2016. Comisión Económica para América Latina y el Caribe. Anuario Estadístico de América Latina y el Caribe, 2016 (LC/PUB.2017/2-P).

CEPAL, 2015. Comisión Económica para América Latina y el Caribe. Anuario Estadístico de América Latina y el Caribe, 2015 (LC/G.2656-P).

CEPAL, 2013. Comisión Económica para América Latina y el Caribe. Anuario Estadístico de América Latina y el Caribe, 2013 (LC/G.2582-P).

CEPAL, 2004. Comisión Económica para América Latina y el Caribe. Anuario Estadístico de América Latina y el Caribe, 2003 (LC/G.2224-P).

CEPAL, 2002. Comisión Económica para América Latina y el Caribe. Anuario Estadístico de América Latina y el Caribe, 2001 (LC/G.2151-P).

GONÇALVES, R. J. de A. F., 2016. Capitalismo extrativista na América Latina e as contradições da mineração em grande escala no Brasil. Cadernos Prolam/usp Vol. 15: 38-55. https://doi.org/10.11606/issn.1676-6288.prolam.2016.133593.

GONÇALVES, R. J. de A. F.; MILANEZ, B., 2019. Extrativismo mineral, conflitos e resistências no sul global. Revista Sapiência: Sociedade, saberes, e práticas educacionais Vol. 8: 06-33.

GONÇALVES, T. M.; ALMUNA, E. A.; FOLLMANN, J. I., 2019. Conflitos socioambientais: história, tempo e contexto. In: LADWIG, N. I.; CAMPOS, J. B. (org.). Planejamento e gestão territorial: o papel e os instrumentos do planejamento territorial na interface entre o urbano e o rural. Unesc, Cap. 4: 138-162. Disponível em: http://repositorio.unesc.net/bitstream/1/7021/3/Cap%C3%ADtulo%204.pdf. Acesso em: 09 fev. 2022.

GUDYNAS, E., 2009. Diez tesis urgentes sobre el nuevo extractivismo. In: CAAP; CLAES. Extractivismo, política y sociedad. Quito: Centro Andino de Acción Popular; Centro Latino Americano de Ecología Social: 187-225.

GUDYNAS, E., 2016. Transições ao Pós-extrativismo: sentidos, opções e âmbitos. In: DILGER, G.; LANG, M.; PEREIRA FILHO, J. (org.). Descolonizar o Imaginário: debates sobre pós-extrativismo e alternativas ao desenvolvimento. Editora Elefante.

HABERL, H.; WIEDENHOFER, D.; PAULIUK, S.; KRAUSMANN, F.; MÜLLER, D. B.; FISCHER-KOWALSKI, M., 2017. Contributions of sociometabolic research to sustainability science. Nature Sustainability Vol. 2: 173-184. https://doi.org/10.1038/s41893-019-0225-2.

KRAUSMANN, F.; SCHANDL, H.; EISENMENGER, N.; GILJUM, S.; JACKSON, T., 2017. Material Flow Accounting: Measuring Global Material Use for Sustainable Development. Annual Review of Environment And Resources Vol. 42: 647-675. https://doi.org/10.1146/annurev-environ-102016-060726.

MILANEZ, B.; SANTOS, R. S. P., 2013a. Neodesenvolvimentismo e neoextrativismo: duas faces da mesma moeda? In: Encontro anual da ANPOCS, 37., 2013. Anais [...]: Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais: 01-30.

MILANEZ, B.; SANTOS, R. S. P., 2013b. Neoextrativismo no Brasil? uma análise da proposta do novo marco legal da mineração. Revista Pós Ciências Sociais Vol. 10: 119-148.

MUNÕZ, E. E.; VILLAMAR, M. C. V., 2018. O desenvolvimento extrativista na América Latina e no Caribe: impactos, disputas e alternativas. In: Encontro anual da ANPOCS, 42. Anais. Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais: 1-22.

NUNES, T. G. A, 2018. O extrativismo progressista na América Do Sul: uma análise a partir da experiência boliviana. Cadernos de Campo: Revista de Ciências Sociais Vol. 24: 63-84.

OLIVEIRA, A. V. B., 2019. Extrativismo e neoextrativismo no Brasil: uma análise do modelo econômico brasileiro e seus impactos ao meio ambiente. 51 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Curso de Bacharelado em Economia Ecológica, Centro de Ciências Agrárias, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza.

SOARES, L. R., 2015. Crescimento econômico e desacoplamento do uso de recursos naturais e de impactos ambientais: Evidências para o Brasil. 142 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Pós-graduação em Economia, Programa de Pós-graduação em Economia da Faculdade de Ciências e Letras - Unesp/araraquara, Universidade Estadual Paulista, Araraquara.

SVAMPA, M., 2016. Extrativismo neodesenvolvimentista e movimentos sociais: um giro ecoterritorial rumo a novas alternativas? In: DILGER, G.; LANG, M.; PEREIRA FILHO, J. (Org.). Descolonizar o imaginário: debates sobre pós-extrativismo e alternativas ao desenvolvimento. Fundação Rosa Luxemburgo: 140-173.

VERÍSSIMO, M. P.; XAVIER, C. L., 2014. Tipos de commodities, taxa de câmbio e crescimento econômico: evidências da maldição dos recursos naturais para o Brasil. Revista de Economia Contemporânea Vol. 18: 267-295. https://doi.org/10.1590/141598481825.

VIVACQUA, M.; VIEIRA, P. H. F., 2005. Conflitos socioambientais em Unidades de Conservação. Política & Sociedade: Revista de sociologia política Vol. 4: 139-162. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/politica/article/view/1970. Acesso em: 09 fev. 2022.

ZHOURI, A., 2004. "A Re-volta da Ecologia Política": Conflitos Ambientais no Brasil. Ambiente e Sociedade Vol. 7: 211-213. https://doi.org/10.1590/S1414-753X2004000200015.

Downloads

Publicado

2023-02-13

Como Citar

Modelo de desenvolvimento neoextrativista latino-americano: um olhar biofísico para o comércio exterior das regiões brasileiras (1997-2019). (2023). REVIBEC - Revista Iberoamericana De Economía Ecológica, 35(1), 123-144. https://www.redibec.org/ojs/index.php/revibec/article/view/vol35-1-7